UC Factory Lab: Universidade de Coimbra cria simulador de ambientes industriais para o ensino das engenharias em Portugal

O UC Factory Lab é um espaço inovador e inédito em universidades nacionais.

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Ana Bartolomeu, Catarina Ribeiro e Milene Santos (reportagem)
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Felippe Vaz (fotos)
05 julho, 2024≈ 3 mins de leitura

Da esquerda para a direita: Responsável pelo projeto UC Factory Lab. Cristóvão Silva; Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre; e Reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão

© Felippe Vaz

"A Universidade de Coimbra está de parabéns, este é um bom exemplo da utilização dos fundos PRR que têm como objetivo tranformar a nossa economia e melhorar a nossa sociedade", foi desta forma que o Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, congratulou a Universidade pela inauguração do UC Factory Lab que teve lugar hoje, 5 de julho.

O responsável realçou ainda que "investimentos como estes são fundamentais, esta prática laboratorial é cada vez mais importante pois permite aproximar o ensino e aprendizagem daquilo que são as necessidades da economia, ou seja, daquilo que é a realidade das empresas", e acrescentou "estou certo de que os alunos que passarem por aqui vão passar por uma experiência muito inovadora, mais motivadora, o que induzirá a mais sucesso e mais bem estar dos alunos."

“O UC Factory Lab está para os estudantes das Engenharias como os Hospitais estão para os estudantes de Medicina e Farmácia”, destaca o Reitor da Universidade de Coimbra (UC), Amílcar Falcão, enfatizando a importância deste novo espaço para o ensino nas diversas áreas da engenharia.

Os estudantes dos ensinos superior e secundário, e também as empresas, passam agora a dispôr de um novo espaço da UC onde se reproduz o ambiente de uma unidade fabril moderna, com recursos de robótica avançada, inteligência artificial (IA), realidade virtual e aumentada e internet das coisas (loT).

Instalado numa área de 300 metros quadrados, este é o primeiro equipamento do género no país, resultado de um investimento de 900 000 euros, financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

O UC Factory Lab foi desenhado segundo o conceito de learning factory, que recria um espaço industrial, adaptável a diversos sectores, da nano-farmacêutica à indústria automóvel e da siderurgia à refinaria, entre outros. É vocacionado para o ensino prático das engenharias nas suas múltiplas vertentes, tendo como objetivo reforçar a formação prática de estudantes, com a aplicação de recursos emergentes na indústria, como digitalização, automação, robótica avançada, realidade aumentada, realidade virtual, inteligência artificial, big data, Internet das Coisas (IoT) e sustentabilidade.

"Vamos ter a oportunidade de passar da sala de aula para a fábrica, para que os alunos consigam colocar em prática numa fábrica aquilo que aprenderam em sala de aula sem necessitarmos de interferir com o sistema produtivo real", refere o responsável pelo projeto UC Factory Lab, Cristóvão Silva.

A instalação será também utilizada como suporte para cursos de curta duração, dirigidos a empresas que pretendam proporcionar formação ao longo da vida aos seus quadros superiores.

O UC Factory Lab representa um importante impulso qualitativo pelo enriquecimento que vai trazer ao ensino das engenharias, mas também pelas possibilidades de potenciar ainda mais a abertura ao mundo empresarial.

No UC Factory Lab os participantes vão viver experiências hands-on em processos de produção, isto é, através de simulações de diferentes tipos vão ter de avaliar, decidir e intervir em situações inesperadas, tal como acontece numa fábrica. Por exemplo, terão de saber responder a desafios operacionais e de adotar estratégias para a resolução de problemas através da experimentação num ambiente controlado.

Na nova unidade, com supervisão de professores, os estudantes vão ter de decidir, por exemplo, questões relacionadas com a gestão de matéria-prima, consumo de energia e a tomada de decisões para a garantia dos fluxos produtivos. O que fazer quando uma matéria escasseia ou falta? Como otimizar consumos ou como lidar com uma falha?

Ao providenciar um ambiente de ensino semelhante a uma unidade industrial “real”, as learning factories têm por objetivo reduzir a distância entre os conhecimentos teóricos e as competências práticas, preparando os futuros profissionais ligados às engenharias para o que será o seu dia a dia. Neste sentido, o UC Factory Lab foi desenvolvido considerando três áreas principais que se interligam: robótica, controlo virtual e realidade aumentada, células de produção e intralogística.

A área de robótica permite a formação em várias competências através de quatro tipos de equipamentos: robô móvel, manipulador colaborativo móvel, manipulador colaborativo e robô quadrúpede para assistência. Os robôs estão equipados com sensores avançados, como câmaras e sensores de força para interagir com o meio ambiente e tomar decisões em tempo real.

Nas salas de controlo virtual (VCR) e de realidade virtual (VRR) são simulados processos industriais e controlados virtualmente os processos de produção à escala real. A sala de realidade virtual permite um ambiente imersivo onde os formandos podem visualizar e interagir com o ambiente de produção de forma realista e interativa.

Nas células de produção, com unidades autónomas e flexíveis que agrupam equipamentos, robôs e operadores, são realizadas tarefas específicas de produção. Estas células podem ser configuradas de forma modular para se adaptarem a diferentes necessidades de formação. O sistema intralogístico contempla sistemas de transporte, armazenamento e movimentação de materiais dentro do ambiente de produção, utilizando robôs e sistemas de gestão de armazém.

Com estes recursos, estudantes e professores vão trabalhar com os robôs e testar a aplicação de abordagens e metodologias para otimizar processos de produção.

O UC Factory Lab vai receber estudantes da Universidade de Coimbra e do ensino secundário, podendo também servir de plataforma de formação para profissionais de empresas. Paralelamente, estudantes de mestrado e doutoramento vão também ter a possibilidade de investigar e desenvolver novos processos e equipamentos neste novo espaço.